Na literatura ou no audiovisual, já não é de hoje que as histórias com espiões se fazem presentes no mundo do entretenimento. Figuras como James Bond e Ethan Hunt marcaram a cartilha do agente secreto charmoso e heroico, que luta contra o tempo a fim de impedir uma ameaça misteriosa de consumar um plano de dominação global. Entendendo a fórmula, o diretor Matthew Vaughn (Kingsman: Serviço Secreto) dá vida a “Argylle – O Superespião”, uma comédia de espionagem baseada no livro homônimo de Elly Conway, que é um pseudônimo. Além do segredo envolvendo seu real autor, autora ou autores, o burburinho se intensifica quando a Apple TV+ confirma a produção de uma adaptação cinematográfica, antes mesmo sequer do material original ser publicado e se aproveita disso, para fazer da escritora, protagonista. O longa é distribuído internacionalmente pela Universal Pictures e estreou nos cinemas brasileiros em 4 de fevereiro.
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Elly Conway (Bryce Dallas Howard) é uma reclusa autora de uma série de romances de espionagem best-sellers, cuja ideia de felicidade é uma noite em casa com seu computador e seu gato, Alfie. Mas quando as tramas dos livros de Elly – sobre o agente secreto Argylle (Henry Cavill) e sua missão de desvendar um sindicato global de espionagem – começam a espelhar as ações secretas de uma organização de espionagem da vida real, as noites tranquilas em casa ficam só na lembrança. Acompanhada por Aiden (Sam Rockwell), espião alérgico a gatos, ela corre pelo mundo para ficar sempre um passo à frente dos assassinos, enquanto a linha entre o mundo fictício e o mundo real começam a se entrelaçar. Além de Howard, Cavill e Rockwell, estão presentes Samuel L. Jackson, Dua Lipa, Ariana DeBose, John Cena, Bryan Cranston e Catherine O’Hara.

Como já mencionado, boa parte do interesse geral no filme foi construído em cima de uma repercussão prévia, o que resultou em uma campanha de marketing pautada quase 100% nos nomes dos atores atrativos para um grande público, em específico Dua Lipa e Henry Cavill… O problema surge quando aqueles que foram vendidos como protagonistas na verdade seriam meros coadjuvantes, causando uma frustração imediata e totalmente compreensível naqueles que compraram um ingresso esperando que os artistas tivessem mais tempo de tela. Deixando de lado os ruídos de expectativa gerados pelo estúdio, um destaque positivo é o fato do roteiro assumir estar buscando rir de si mesmo e tirar sarro dos clichês do próprio gênero, fazendo do exagero seu principal recurso. No entanto, essa escolha exige certa suspensão de descrença por parte de quem assiste o que aliado a repetição incessante dos mesmos artifícios e reviravoltas, acaba saturando aquilo que inicialmente era inventivo, tornando esses momentos, sobretudo a partir do terceiro ato, cansativos e beirando o irritante.
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Apesar do CGI não estar em um de seus melhores usos, a direção de arte consegue imprimir na tela um visual colorido e marcante, que somado aos figurinos únicos transmitem o tom certo para entender o humor do filme. A direção de Vaughn é extremamente competente, responsável por criar cenas de ação eletrizantes, que embaladas por uma trilha sonora dance pop e uma coreografia expressiva são capazes de empolgar quase que como um verdadeiro espetáculo de dança. Mesmo assim, o ponto mais alto aqui é a montagem, responsável por ditar o ritmo frenético do longa e o preencher com alma, encantando os olhos com transições assertivas e criativas entre o mundo real e o literário.

Já o elenco, de um modo geral, cativa na medida do possível, entregando um trabalho linear e condizente com o tipo de produção e personagem que lhes foi dado. Ainda assim, consigo realçar a performance de Samuel L. Jackson que transborda carisma e consegue arrancar sorrisos em cada uma de suas participações. No mais, apesar das estratégias erradas de divulgação, “Argylle – O Superespião” não tem medo de abraçar a breguice (no melhor sentido da palavra) e mesmo sendo excessivamente longo em duração e vez ou outra redundante, consegue usar da sua criatividade para solidificar um mistério interessante e atingir seu público alvo, proporcionando uma experiência aventuresca e divertida para toda a família.
Nota: 3/5
Trailer
ARGYLLE – O SUPERESPIÃO (“Argylle”)
Estados Unidos, 2024
Direção: Matthew Vaugh
Elenco: Henry Cavill, Dua Lipa, Bryce Dallas Howard, Ariana DeBose, John Cena, Bryan Cranston, Catherine O’Hara, Samuel L. Jackson
Distribuição: Universal Pictures

