Embora já existissem há bastante tempo, é fato que as adaptações de quadrinhos de super-heróis atingiram um novo patamar na última década, marcando, para o bem ou para o mal, sua presença na história do cinema. A DC Comics, obviamente, não ficou de fora da tendência dos universos compartilhados em parceria com a Warner Bros., lançou em 2013 o “Homem de Aço”, de Zack Snyder, dando início ao que seria o seu conturbado DCEU (DC Extended Universe). Após 10 anos repletos de altos, baixos e muitas polêmicas, o universo expandido da editora finalmente foi concluído. O escolhido para encerrar esse ciclo foi a continuação do bilionário longa do rei dos mares, “Aquaman 2: O Reino Perdido”, que estreou nos cinemas brasileiros em 20 de dezembro.
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“Agora mais temível do que nunca, Arraia Negra detém o poder do mítico Tridente Negro e sua ancestral força malévola. Para derrotá-lo, Arthur Curry, o Aquaman, recorrerá a seu irmão Orm, o ex-Rei da Atlântida, ainda na prisão, para forjar uma aliança improvável. Juntos, eles vão ter que deixar de lado suas diferenças para proteger seu reino, salvar a família de Aquaman e o mundo da irreversível destruição” Jason Momoa (Velozes e Furioso 10), Patrick Wilson (Invocação do Mal) e Yahya Abdul-Mateen II (A Lenda de Candyman), voltam respectivamente aos seus papéis como Aquaman, Orm e Arraia Negra. Além disso, Nicole Kidman (Big Little Lies), Amber Heard (Zombieland) e Temuera Morrison (O Livro de Bobba Fett) também retornam para a sequência, assim como o diretor James Wan (Invocação do Mal), que assume novamente seu posto.

O personagem que antes era lido como piada por muitos, achou nas telonas um espaço para rir de si mesmo e se levar menos a sério, fórmula essa que levou o primeiro “Aquaman”, ao sucesso. A produção replica sua antecessora ao se apropriar novamente da breguice – no melhor sentido da palavra – para afinar o seu tom, o que acaba guiando a jornada de forma divertida e bem humorada. Além disso, as sequências de ação empolgam, principalmente quando aliadas à trilha sonora perfeitamente mixada. Mas o principal destaque fica de longe com os efeitos visuais, que constroem em tela não só uma Atlântida, mas todo um fundo do mar colorido que além de crível, é belíssimo! As criaturas atlantes ao mesmo tempo que bizarras, são fascinantes. Um detalhe que particularmente me deixou encantado, foi a maneira com que os cabelos interagem com a água… confesso que me peguei hipnotizado com a fluidez dos movimentos mais de uma vez.
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Por mais que Wan dirija os dois longas, existem diferenças notáveis na execução de ambos os projetos. Algo que encaro como positivo, é a escolha do diretor em se afastar dos enquadramentos de video-game, que estavam tão presentes no filme de 2019. Mas em contrapartida, ele peca no excesso do uso de slow-motion, que ao invés de contribuir para a intensidade das cenas resulta em um efeito contrário, quebrando o ritmo e retirando o espectador da imersão. Uma questão que assombrou a produção desde as primeiras notícias, foi o tempo de tela de Mera, a esposa do protagonista, que é interpretada pela atriz Amber Heard. Em comparação ao primeiro filme, a Rainha de Atlântida aparece bem menos, porém não sinto que sua participação tenha sido reduzida pois o foco da história principal sempre foi o desenvolvimento da relação de irmãos entre Arthur e Orm, então é natural que a maioria dos momentos sejam somente com os dois. Aliás, relação essa que coroada pela química de Momoa e Wilson, se torna o ponto alto do filme.

Quando se fala em narrativa, é injusto dizer que em alguma hora ele tenha se proposto a entregar algo revolucionário, mas é impossível não mencionar a quantidade exorbitante de situações recicladas de inúmeros outros filmes, como “Os Incríveis” (2004), “Avatar: O Caminho da Água” (2022) e “Star Wars” (1977), que combinadas corretamente até tem consistência, mas resultam em um roteiro fraco e previsível. Aproveito do espaço, para dizer de forma geral que mesmo controverso, o DCEU deu a seus fãs bons momentos, com um elenco cativante que será, independente de tudo, lembrado. Encabeçada por James Gunn (Guardiões da Galáxia) e Peter Safran, A DC dará início ao seu novo universo cinematográfico em julho de 2025, com o longa “Superman: Legacy”. Por fim, mesmo que “Aquaman 2: O Reino Perdido” não inove em nada, entretém o seu público com um visual deslumbrante e dá um final digno a uma etapa importante do gênero de super-heróis.
Nota: 3/5
Trailer
AQUAMAN 2: O REINO PERDIDO (“Aquaman and the Lost Kingdom”) Estados Unidos, 2023
Direção: James Wan
Elenco: Jason Momoa, Patrick Wilson, Yahya Abdul-Mateen II, Nicole Kidman, Amber Heard
Distribuição: Warner Bros. Pictures Brasil

