Com seu topete e macacão branco, Elvis Presley se tornou sem dúvidas uma das figuras mais icônicas de toda a cultura pop. Com esse nível de fama, sempre junto com ela vem as polêmicas, e a diretora e roteirista Sofia Coppola resolveu ilustrar uma das mais emblemáticas de sua vida… O seu conturbado casamento! “Priscilla” é uma adaptação cinematográfica de “Elvis e Eu” , livro de memórias de Priscilla Presley, esposa do cantor. O filme foi exibido pela primeira vez no Brasil durante o Festival do Rio e tem ampla estreia marcada para 26 de dezembro.
“Quando a adolescente Priscilla Beaulieu conhece Elvis Presley em uma festa, o homem que já era um superstar do rock torna-se alguém completamente inesperado em momentos particulares: uma paixão emocionante, um aliado na solidão, um melhor amigo vulnerável. Através dos olhos de Priscilla, Sofia Coppola conta o lado invisível de um grande mito norte-americano durante o longo namoro e casamento turbulento de Elvis e Priscilla, desde uma base militar alemã até à sua propriedade dos sonhos em Graceland. Um retrato de amor, fantasia e fama profundo e arrebatadoramente detalhado.”

A fanfic do sonho adolescente de ter uma grande estrela apaixonada por você, aqui foi a realidade! E por mais que se desenvolva a visão apaixonada da protagonista, é um mérito de Coppola a escolha de não cair no lugar da romantização, mesmo quando ignorar todas as problemáticas de ter um homem adulto namorando uma menina de 14 anos é o caminho mais fácil… e é mais fácil ainda no momento que se fala de uma pessoa tão influente como o proclamado Rei do Rock.
A narrativa é carregada sutilmente por uma trama intensa que descreve bem o sentimento de estar sempre na sombra de alguém, mas acaba tendo seu ritmo prejudicado no início e no final, pela montagem, que opta por passar rápido demais por momentos chave do enredo, transmitindo para o público a sensação de que algumas decisões importantes foram tomadas de uma hora pra outra.

Além disso, é impossível não destacar o brilhante trabalho de Cailee Spaeny como Priscilla, que desde o primeiro momento devora o seu papel, imprimindo em tela de uma maneira muito genuína a fragilidade e a inocência se esvaindo pouco a pouco. Quanto ao Jacob Elordi como Elvis, a entrega é ok, em todos os sentidos que a palavra pode ter, não é extraordinária mas também nada terrível… Sinto que a comparação com a atuação marcante de Austin Butler (“Elvis, de Baz Luhrmann”) é injusta, pois aqui o rockstar não é o centro da história, mas se faz quase inevitável pelo outro filme estar ainda muito vivo no imaginário coletivo.
Ainda falando sobre Elordi, pontuo que houveram falhas grotescas na construção técnica do personagem que não necessariamente são culpa do intérprete, começando no sotaque mal dirigido que dificultava muito o entendimento das falas, e culminando numa cena em que era perceptível a peruca descolando da cabeça do ator… Mas em compensação os penteados da personagem principal, além de bem presos, são belíssimos! Aliados ao restante dos figurinos, a fotografia e o design de produção, resultam num visual estético encantador. Em conclusão, apesar de um dilema interessantíssimo e visual cativante, o longa corre e tropeça em si mesmo… No fim das contas, só sendo lembrado pelo talento da sua atriz.
Nota: 3,5/5
TRAILER
PRISCILLA
Estados Unidos, 2023
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Cailee Spaeny, Jacob Elordi, Ari Cohen, Dagmara Dominczyk, Tim Post
Distribuição: 02 Play, MUBI

