Carta aberta de alunos e professores da ECA-USP pede checagem de fatos em tempo real nos debates presidenciais do 2° turno

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Estudantes, egressos, professores e acadêmicos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) lançam a carta aberta “Comunicação só se faz com a verdade”, que convoca as emissoras de rádio e televisão brasileiras a promover mudanças imediatas no formato dos debates eleitorais. O documento apresenta recomendações técnicas e éticas para fortalecer a apuração durante as transmissões e garantir que o eleitor tenha acesso imediato a informações verificadas assim que os candidatos se pronunciam.

A iniciativa parte de uma preocupação com a transformação dos debates eleitorais em espaços de ataques pessoais, discursos de ódio, informações falsas e dados distorcidos, em detrimento da discussão de propostas e dos problemas que afetam a sociedade brasileira. Para os signatários, o modelo tradicional de mediação, concentrado no controle do tempo de fala dos candidatos, já não é suficiente para responder aos desafios impostos pela desinformação e pela circulação de conteúdos nas redes sociais.

Entre as principais propostas está a criação de uma equipe especializada em checagem de fatos ao vivo, capaz de analisar dados e declarações apresentados pelos candidatos durante os debates. A carta também reivindica que informações falsas sejam sinalizadas ao público e que os candidatos responsáveis sejam formalmente advertidos, com possibilidade de sanções, como a perda de tempo de fala em caso de reincidência.

O documento propõe, ainda, mecanismos de advertência e punição para declarações, projetos ou propostas que violem os Direitos Humanos ou afrontem a Constituição Federal de 1988. Outra recomendação é ampliar o espaço dedicado à apuração e à checagem de informações na programação aberta e gratuita, para que o esclarecimento dos fatos alcance a mesma audiência que acompanha os debates eleitorais.

A urgência das mudanças no segundo turno 

A carta solicita que o maior número possível de medidas seja implementado já no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Nantes Bolsonaro (PL). O texto também chama a atenção para a necessidade de as emissoras prepararem alternativas para a realização dos debates diante da eventual ausência de candidatos, preservando o espaço de diálogo e o acesso do eleitor às informações.

O documento é dirigido às emissoras e aos grupos de comunicação com debates agendados, incluindo Record TV, SBT, CNN Brasil, Metrópoles, RedeTV!, NovaBrasil FM, Grupo Bandeirantes e Grupo Globo, além de outros veículos que podem vir a promover entrevistas e sabatinas com os presidenciáveis.

Liderada por integrantes da comunidade acadêmica da ECA-USP , a iniciativa busca também reunir o apoio de professores, estudantes, pesquisadores e egressos de outras universidades públicas e particulares de comunicação de diferentes regiões do país.

Para os signatários, a qualidade da informação oferecida ao eleitor é uma condição fundamental para o exercício da cidadania e para o fortalecimento das instituições democráticas. A proposta é atualizar a mediação dos debates eleitorais diante das transformações da comunicação contemporânea, reafirmando o compromisso do jornalismo profissional com a verdade, a verificação dos fatos e o interesse público.

Autor

  • Maju Pinheiro

    Bacharelanda em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e Repórter do SETEPOP.

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