Laufey aterrisa em São Paulo com show mágico no Espaço Unimed

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A cantora islandesa-chinesa, vencedora de dois Grammy Awards e um dos grandes nomes do pop tradicional atual, realizou mais um show da turnê “A Matter Of Time” que leva o nome do terceiro álbum da artista, dessa vez no Espaço Unimed na capital paulista. O show aconteceu na quarta-feira (9) após sua apresentação no palco Sunset do Rock In Rio na segunda-feira. 

Essa é a segunda vez de Laufey (@laufey) no Brasil. A primeira foi em maio de 2025 como uma das atrações principais do Popload Festival em São Paulo (no Parque do Ibirapuera).

Diferente do show na Cidade do Rock — que aconteceu após apresentação de Gilberto Gil —, a atmosfera do espetáculo em São Paulo era como se os espectadores estivessem dentro do mundo de Laufey. Os fãs foram vestidos a caráter com coroas e roupas que fazem referência à era da cantora, um verdadeiro conto de fadas. 

Antes do início do show, um quiz sobre a carreira de Laufey passava nos telões — Foto: Murilo Bezerra/SETEPOP

O show contou com a mesma setlist do resto da turnê, sem alterações como no show do Rio que contou com cover de “Perdido de Amor” em português. A cantora iniciou o espetáculo com “Clockwork” seguida do hit “Lover Girl”, sequência que agitou a plateia.

Dividida em cinco atos diferentes, a apresentação de Laufey foi do jazz à bossa nova. O cenário levou os fãs direto para um livro dos Irmãos Grimm — de um jeito mágico, não infantil. Mas para além da energia doce, alguns números como “Falling Behind” e “Dreamer” apresentaram momentos mais intimistas e traziam a energia de estar num bar dos anos 50, o puro jazz. 

A cantora tem uma irmã gêmea chamada Junia, que frequentemente toca violino em suas apresentações e cuida de direções visuais — Foto: Murilo Bezerra/SETEPOP

Um dos destaques é o uso de diferentes instrumentos pela musicista, da guitarra ao violão, do piano ao violoncelo. E talvez seja esse o futuro do pop, artistas mais completos, que não apenas cantam, mas tocam além de um instrumento e compõem suas próprias músicas.

O show de Laufey não é feito para pular — exceto por “Tough Luck” —, mas para sentir. Suas letras se assemelham com as de Olivia Rodrigo e Taylor Swift no quesito drama adolescente. Inclusive, em todos shows um fã é escolhido para receber a coroa de melhor fantasia — parecido com o que a loirinha fazia com um chapéu na música “22” na “The Eras Tour”. Na noite de quarta-feira, a escolhida foi Rachel, de 14 anos. Ao perguntar a idade da jovem, a artista respondeu que “essa idade pode ser confusa e difícil em alguns momentos” mas que coisas incríveis estariam por vir. 

Certamente, é notável que pela idade do fandom — “Lauvers” para os mais íntimos —, muitos pais estavam presentes com seus filhos e filhas. Talvez a energia do show e a bossa nova combinem com seus gostos, visto que muitos sabiam as letras e cantavam com seus adolescentes e crianças. 

Laufey foi finalista no Ísland Got Talent (2014) e semifinalista no The Voice Iceland (2015) — Foto: Murilo Bezerra/SETEPOP

A cantora também tem sua própria fundação, a “The Laufey Foundation”, uma iniciativa voltada à democratização da educação musical para jovens de diferentes origens. Perto do fim do show, ela perguntou quem da plateia era artista, de alguma maneira, e diversas mãos subiram. A artista disse que sabe “o quão difícil é manter e viver de sua própria arte” e terminou dizendo que “todos devem se orgulhar de suas criações” assim como ela se orgulha das dela, e agradeceu aos fãs por estarem com ela há tanto tempo.

Laufey possui uma mascote chamada “Mei Mei The Bunny” que é sua coelhinha e alter ego. A coelha possui inclusive livro próprio publicado pela Companhia das Letrinhas — selo infantil da Companhia das Letras — aqui no Brasil. A mascote em tamanho real circulou pelo Espaço Unimed tirando fotos com os fãs no pré-show.

O espetáculo é grandioso na medida do que se propõe a ser. Sem mais nem menos. Laufey não é uma A-list, mas seus dois Grammys indicam que esse é apenas o começo de uma carreira promissora no pop tradicional. 

Autor

  • Murilo Bezerra

    Bacharelando em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e Repórter do SETEPOP.

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