Se a música de ‘Memórias Póstumas’ fala de luto e reconstrução, o guarda-roupa da era constrói uma história parecida: a de um artista que circula entre grifes internacionais de peso e uma alfaiataria brasileira mais despojada, que dialoga com a estética minimalista e melancólica do disco — com styling assinado por Pedro Sales, nome que passou quatro anos como diretor de moda da Vogue Brasil e já vestiu Gisele Bündchen, Bruna Marquezine e Sabrina Sato.
“Foi interessante quando a gente percebeu que defuntos e escritores se vestem de maneira parecida. O terno é um símbolo que une as duas coisas, sem ser literal. É uma sutileza desse universo na qual eu vejo graça”.
Jão para a Vogue Brasil
A campanha oficial do álbum abre com Gucci: na imagem que estampa a nova era, Jão aparece de terno preto, carregando um buquê de flores brancas nas costas — o look confirmado pelo próprio Pedro Sales no Instagram, com foto de Hugo Comte (o mesmo fotógrafo francês da capa do disco que também fotografou o vencedor do Grammy “Future Nostalgia”, de Dua Lipa) e direção criativa de Pedro Tófani. A mesma sessão rendeu um segundo look, dessa vez de Dior: terno preto, flor na boca e sandálias pretas de couro.
Na capa do disco ‘Memórias Póstumas’, Jão também não foge da alfaiataria reta, flores e uma gravata da Gucci que desenha um look que custa em torno de R$ 42 mil. A grife italiana também marcou presença no styling do clipe de ‘Catedral’, gravado no MASP, em São Paulo. Os destaques são a gravata azul-escura com monograma entrelaçado e o pin dourado com o nome da marca gravado.

“Quando as novas coleções da Dior e da Chanel saíram esse ano e o Pedro Sales trocamos várias figurinhas. Tinha alfaiataria e flor em tudo. Demos um jeito de incorporar”.
Jão para a Vogue Brasil

Fora da campanha estática, o styling também apareceu ao vivo. Na apresentação do programa Altas Horas neste sábado (1), Jão cantou de camisa listrada e gravata YSL, num visual mais formal e clássico assinado pela grife francesa. Já na audição de ‘Memórias Póstumas’ no Novo Anhangabaú — o “First Listen” que reuniu milhares de fãs em São Paulo — o look combinou blazer xadrez da Chanel com a Calça Kai marrom da Mondepars, mistura confirmada por Pedro Sales no mesmo post.
É nesse ponto que a Mondepars entra como contraponto brasileiro. A grife de Sasha Meneghel — formada em design de moda pela Parsons School of Design e ex-estagiária de Lenny Niemeyer — construiu identidade justamente na alfaiataria clássica com toque streetwear: calças retas, cortes que fogem do óbvio, sem gênero definido. Foi essa mesma linguagem que vestiu Jão no Palco Mundo do Rock in Rio 2024, em look all black inspirado em Prince e Michael Jackson, e que agora reaparece dividindo espaço com Chanel na noite mais simbólica da era — o retorno do cantor aos palcos depois de mais de um ano de pausa.
O fio condutor entre todos esses looks é a alfaiataria: ternos, calças de corte reto, gravatas, camisas estruturadas — um vocabulário visual sóbrio que conversa direto com o tom introspectivo do álbum. Gucci trouxe o peso institucional; Dior, a melancolia poética; YSL, a formalidade discreta; e a Mondepars, o respiro nacional numa era guiada por nomes internacionais.

A pergunta que fica é: O que esperar do figurino de Jão para a turnê Memórias Póstumas? A nova era já tem um show esgotado com capacidade máxima do Nubank Parque em São Paulo, no dia 25 de setembro.

