“EQUILIBRIVM II”: Anitta aposta em diversidade de estilos em novo álbum

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Anitta lança, nesta quinta-feira (23), “EQUILIBRIVM II”, seu mais novo álbum. Continuação do projeto lançado em abril desse ano, o nono disco de estúdio da cantora retoma as reflexões sobre amor, espiritualidade e ancestralidade de seu antecessor. O trabalho chega também acompanhado de um curta-metragem musical, que transforma as novas canções em poesia visual. 

O disco faz uma mistura interessante entre o novo e o antigo – Anitta escolhe parcerias com nomes tidos como medalhões da MPB, omo Maria Bethânia, Alceu Valença e Mart’nália ao mesmo tempo em que divide vocais com artistas celebrados da cena contemporânea e novas vozes também, como MC Tha e Mestrinho.

Me coloquei inteira nesse disco. Quem ouvir vai perceber isso. São músicas que têm muito da minha espiritualidade, da minha visão de mundo, das brasilidades que me encantam e pitadas autobiográficas também”, comenta a artista.

Assim como o volume I, o segundo álbum celebra a diversidade da música brasileira. Na sonoridade, são percebidas a influência da bossa nova, samba, reggae, funk e forró, entre outros ritmos da cultura nacional. Nas colaborações, Anitta escolhe parcerias com nomes tidos como medalhões da MPB, ao mesmo tempo em que divide vocais com artistas celebrados da cena contemporânea e novas vozes também.

DE ALMA LAVADA

Anitta abre os trabalhos com “Você Já Sabe”. Dividida entre os tambores sagrados do candomblé e o tamborzão do funk, a faixa inaugural exalta os exus e pombagiras. E avisa: “Pode chover / Que eu viro trovão”, em uma letra que canaliza a energia vital das entidades e um arranjo que a transforma em potência sonora. 

Em “Sem Pressa”, feat com MC Tha, as artistas cantam sobre a beleza de se viver a vida sem pressa, aproveitando os pequenos prazeres do cotidiano. Tudo isso é embalado pelo ritmo do Ijexá. “Descobri a MC Tha por causa dos meus fãs, que pediram muito que eu gravasse com ela. Me apaixonei de primeira pelo trabalho dela”, relembra Anitta.

O clima de gratidão e positividade se mantém em faixas como “Abre Caminho” e “Tudo Isso”. Apresentadas em sequência na tracklist, ambas bebem da sonoridade do reggae, ainda que de maneiras distintas.

 “Não Me Cutuca”, por sua vez, explora o gênero do forró e conta com vocais de Alceu Valença. O músico comemora a parceria de forma divertida: “Anitta foi uma parceritta bonitta demais. No meio da turnê de São João, achamos uma brechitta, corremos para um estúdio em Salvador e nasceu essa musiquitta cheia de graça e provocação. 

FÉ BRASILEIRA

A sonoridade do forró segue embalando a tracklist com “Eu Não Sou Santa”, faixa em parceria com o sanfoneiro, cantor e compositor Mestrinho. Aqui a dupla canta uma ode à Nossa Senhora Aparecida, conhecida como a padroeira do Brasil.   

Anitta optou por pensar no projeto também com um álbum visual, trabalhando com profissionais da área cinematográfica
[Imagem: Reprodução/André Nicolau]

Crença e brasilidade também dão o tom de “Ogum Me Rodeia”, canção em que Anitta se reúne com Maria Bethânia e Leticia Fialho. O orixá, que é fortemente associado a São Jorge no sincretismo brasileiro e é conhecido também como patrono dos trabalhadores, é tema central na canção.  “Gostei de participar do novo trabalho da Anitta, o ‘EQUILIBRIUM’, a seu convite para dizer boas palavras saudando o menino Oniri. Salve, salve”, saúda Maria Bethânia, que contribui com a canção declamando um poema em homenagem a Ogum.

  

Anitta reafirma sua conexão com o candomblé também no samba-pop “Feitiço”, que conta com vocais de Mart’nália e sampleia o ponto de Exu “Botaram Feitiço”, de J. B. de Carvalho. Na letra, as artistas cantam sobre o poder das encruzilhadas e sobre a segurança de sentir-se protegido por sua fé. 

Já em “Contemplação”, a carioca se une ao Grupo Ofá, conjunto musical formado por integrantes da comunidade do Terreiro do Gantois, de Salvador. Pensada como uma oração musicada, a canção tem versos em iorubá e foi eleita por Anitta como a sua preferida do disco. “Sou fã declarada do Grupo Ofá. Consumo e admiro o trabalho deles. Mas nada me preparou para a emoção que senti quando ouvi a produção pronta. É uma música que melhora o meu dia sempre que a escuto”. 

SABERES ANCESTRAIS

Somam-se os momentos em que “EQUILIBRIVM II” dialoga sobre a ancestralidade brasileira. Em “Deus Mãe”, por exemplo, Anitta e King Saints cantam sobre a força feminina que é transmitida de mãe para filha.

Já na eletrizante “OKE”, que fecha o disco, a celebração é em nome das populações indígenas. A sonoridade bebe do funk e da música eletrônica para canalizar a potência desses povos, que são citados um a um na letra. 

A cantora aposta em uma conexão com a espiritualidade e conhecimentos de povos originários na composição das canções e do audiovisual
[Imagem: Reprodução/André Nicolau]


A rapper Katú Mirim, que é descendente do povo Boe Bororo, fala da importância dessa parceria com Anitta: “Este feat representa um chamado para a reconexão com nossas raízes, para a valorização dos saberes ancestrais e para a retomada da nossa espiritualidade, lembrando que o equilíbrio nasce quando reconhecemos a força da terra, dos nossos ancestrais e da coletividade”, explica.

RITUAIS DO CORPO

O funk, ritmo que protagoniza a carreira de Anitta desde os seus primórdios, guia a sonoridade de “Sal Grosso”. “Pra mim, a dança, a sensualidade e o corpo em movimento têm esse poder de cura e elevação. Então eu quis que a produção fosse bem dançante, pra celebrar essa energia ritualística”. Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Kbrum colabora com vocais na canção. “

A sensualidade como ferramenta de elevação também é tema de “Divino Sexual”, que descreve o encontro entre dois corpos como uma experiência energética, de conexão entre almas – conceito muito inspirado na filosofia tântrica. 

O projeto também contou com um grande trabalho de curadoria de moda, assinada por Daniel Ueda e André Philipe
[Imagem: Reprodução/André Nicolau]

Na mesma levada, “Ponta do Pé” é um samba inspirado pela dança de gafieira. A canção tem forte carga afetiva, já que Anitta tem em comum com sua família o amor pela dança de salão.

VULNERABILIDADE

A afetividade também brilha nas letras do volume II, tema também presente no primeiro. É como acontece em “Azul”, versão em espanhol do clássico de Djavan, que versa sobre a pureza e a imensidão do amor.  Já em “Pra Você Gostar de Mim”, Anitta usa de uma bossa nova melancólica para refletir sobre sua relação de afeto com a própria carreira.

E o clima confessional chega a seu ápice com “Respira”. O sambinha, que originalmente tinha letra em espanhol, foi traduzido para o português pela própria Anitta. “Fiz questão de assinar essa tradução, porque são versos muito pessoais. Muito íntimos, sabe? , compartilha a cantora. 

POESIA AUDIOVISUAL

Pensado também como um projeto audiovisual, “EQUILIBRIVM II” chega acompanhado de um curta-metragem que transforma as reflexões das músicas em espetáculo cinematográfico. A produção é assinada pela Ginga Pictures, time encabeçado por Felipe Britto e Mel Chapaval, responsável por todos os visuals do primeiro álbum. Nídia Aranha assina a direção criativa (tanto visual quanto musicalmente), inclusive colaborando com Felipe Sassi e Nico Mascarenhas na direção geral.  

Daniel Ueda, o stylist que co-assina (ao lado de André Philipe) os looks da produção, reflete sobre a diversidade de referências e construções que permeiam a moda de “EQUILIBRIVM II”: “Fomos olhando para o Brasil inteiro nessa curadoria”, explica. “Queríamos sair um pouco do eixo Rio – São Paulo. Fizemos uma reunião de brainstorm com a Nídia Aranha, ela foi apresentando a ideia de cada ato do curta e percebemos que apresentaríamos várias Anittas mesmo. A Carmen, as pombagiras, a romântica, a lúdica… Foram várias ‘skins’ dela, sabe?”. O profissional revela ainda o cuidado que teve de destacar marcas e designers brasileiros nesse processo: “Priorizamos marcas nacionais do país inteiro. Isso é muito legal, porque acabamos mostrando ao mundo marcas que podem acabar sendo super impactadas por essa visibilidade”.

TRACKLIST: “EQUILIBRIVM II” – ANITTA


1. Você Já Sabe (com Los Brasileros)

2. Sal Grosso (com Kbrum)

3. Não Me Cutuca (com Alceu Valença)

4. Eu Não Sou Santa (com Mestrinho)

5. Feitiço (com Mart’nália)

6. Ponta do Pé

7. Abre Caminho (com Alexandre Carlo)

8. Tudo Isso

9. Sem Pressa (com MC Tha)

10. Deus Mãe (com King Saints)

11. Ogum Me Rodeia (com Maria Bethânia e Letícia Fialho)

12. Contemplação (com Grupo Ofá)

13. Pra Você Gostar de Mim

14. Divino Sexual

15. Azul

16. Respira

17. OKE (com Brô MC’s e Katú Mirim)

Ouça o álbum

*Imagem da capa: Divulgação/Universal Music Brasil

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