A marca brasileira Mondepars apresentou nesta semana sua nova coleção de inverno, intitulada ALDA, uma homenagem à artista, figurinista e costureira Alda Meneghel. Inspirada na trajetória da avó, a coleção marca um retorno às origens e às referências que moldaram o olhar criativo de Sasha Meneghel.

[Imagem: Zé Takahashi]
Nascida em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, Alda teve uma vida marcada por diferentes experiências culturais. Após perder o pai ainda na infância, foi acolhida por um grupo cigano liderado por sua tia Rosa, onde desenvolveu sensibilidade artística e contato com novas formas de enxergar o mundo. Mais tarde, viveu em um convento para estudar e seguir a vida religiosa, caminho interrompido quando conheceu Luiz Floriano Meneghel, militar com quem constituiu família. O desfile encerra no momento do casamento de Alda. Em entrevista, João Lucas, marido de Sasha e diretor de arte do desfile, indicou que a continuação virá na coleção de verão da Mondepars.
Ao longo da vida, Alda produziu pinturas, colagens, cerâmicas, figurinos e roupas. Também foi responsável pelos primeiros figurinos de Xuxa Meneghel, ajudando a construir uma estética que se tornou parte da cultura popular brasileira.

A coleção resgata momentos dessa trajetória por meio de referências ao universo circense, quase mágico, às memórias do convento e à relação amorosa com um militar. O resultado é uma interpretação contemporânea dessas experiências, traduzida em peças que conectam memória afetiva, artesanato e sofisticação, o que coloca a Mondepars num patamar jamais visto antes em uma marca brasileira, através da conexão afetiva, Sasha aproxima o público da marca.
A narrativa não ficou restrita às roupas. Montado no Espaço Arca, em São Paulo, o desfile contou com uma cenografia que remetia à casa da família Meneghel no interior gaúcho. A estrutura instalada no centro da passarela funcionava como um símbolo de retorno às origens e reforçava o caráter autobiográfico da apresentação, com propósito de afirmar a arte de contar histórias através de sobriedade e peças de madeira. Ao encerramento, a emoção tomou conta dos convidados com a voz de Alda cantando “Estrela do Mar”, originalmente interpretada por Dalva de Oliveira, em um áudio raro da matriarca resgatado por Sasha e a família Meneghel.
No catálogo, a Mondepars manteve a alfaiataria como um de seus principais códigos criativos — e mostrou que faz isso melhor do que ninguém. Casacos estruturados, modelagens precisas, sobreposições e uma paleta sóbria conduziram a apresentação, isso sem falar das golas que viraram marca registrada da marca, presente até em calças. Referências ao universo circense surgiram em lapelas ampliadas e construções que lembravam figurinos de palco, enquanto elementos militares apareceram em cortes rigorosos e detalhes inspirados em uniformes. Um verdadeiro show de referências que não destoam no meio das peças, mas compõem de forma harmoniosa.
Um dos aspectos mais relevantes da coleção foi o uso da madeira como elemento de construção das peças. O material apareceu em lapelas, gravatas, luvas, corsets e acessórios, funcionando não apenas como ornamento, mas como parte estrutural dos looks, e só há uma certeza: a madeira veio para ficar. Não se surpreenda se ver alguém usando peças de madeira em red carpets, elas destacam qualquer look. A experimentação chama atenção por ampliar o repertório técnico da marca sem comprometer a elegância minimalista que caracteriza a Mondepars.

A trilha sonora do desfile foi criada por Carlos Bezerra e dirigida por João Lucas. O projeto contou com mixagem e masterização em tecnologia Dolby Atmos por Giovanni Asselta, marcando a primeira utilização do recurso em uma trilha de desfile de moda. Com mais de 40 caixas de som distribuídas pelo espaço, a proposta buscou criar uma experiência imersiva e cinematográfica para o público, e conseguiu. Mesmo quem acompanhou a transmissão ao vivo pôde entrar na imersão e se emocionar.
O styling do desfile foi assinado por Pedro Sales, não teria escolha melhor. Com acessórios de Life by Vivara e Vogue Eyewear. A beleza ficou sob responsabilidade de Rodrigo Costa, utilizando produtos das linhas EIMI, da Wella Professionals, e Epidrat e Episol, da Mantecorp Skincare.
A primeira fila reuniu familiares, amigos e personalidades do entretenimento. Entre os convidados estavam Xuxa Meneghel, Bruna Marquezine, Sabrina Sato, Manu Gavassi, Bella Campos e João Guilherme, muito bem apresentados. Além de grandes celebridades e amigos, o evento contou com criadores de conteúdo sobre moda, desde os menos conhecidos, até Catarina Tourinho, o que mostra o cuidado da marca em apoiar quem verdadeiramente consome moda. A emoção foi visível durante toda a apresentação. Xuxa chorou ao acompanhar a homenagem à mãe e afirmou, em entrevista ao Gshow, que a história de Alda é “muito rica” e que se surpreendeu com a forma como Sasha conseguiu traduzir tantos detalhes de sua trajetória para a linguagem da moda.

Vale destacar também a maturidade criativa alcançada pela Mondepars em seu terceiro desfile. A coleção é sem dúvidas um passo importante na consolidação da marca, especialmente pela consistência da alfaiataria, pela qualidade da execução e pela capacidade de transformar uma narrativa profundamente pessoal em uma proposta relevante para além da esfera familiar, é apenas o início de uma marca que ainda tem muita história para contar, e surpreender o mundo da moda tanto nacional quanto internacional. Sasha Meneghel não é apenas estilista, é uma potência da moda a ser moldada, que persiste a usufruir de sua história para construir um legado através da Mondepars. Pouco a pouco, a marca trilha seu caminho e conta sua própria história.
Mais do que uma coleção, ALDA se apresenta como um exercício de memória, transformando em moda as histórias, afetos e heranças que atravessam gerações da família Meneghel. A coleção reafirma o posicionamento da Mondepars de unir narrativa pessoal, artesania e contemporaneidade em suas criações. E mostra que quando se cresce entre artistas, qualquer coisa que você cria vira arte.
*[Imagem de capa: AgNews]

