CRÍTICA | “O Gênio do Crime” é atualizado para o cinema mas não perde sua essência

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Em clima de copa do mundo, “O Gênio do Crime” estreia nos cinemas nesta quinta-feira (14), com os quatro amigos Gordo, Edmundo, Pituca e Berenice — também conhecidos como a “Turma do Gordo” — envolvidos em um mistério relacionado a figurinha do craque Vini Júnior que, falsificada em massa, traz problemas para o dono da fábrica do álbum de figurinhas, o Seu Tomé, interpretado por Ailton Graça.

A trama tem como um de seus principais cenários a escola frequentada pela “Turma do Gordo”, palco de partidas de “bafo” em que os garotos disputam a figurinha mais valiosa do álbum — afinal, quem completá-lo poderá ganhar um ingresso para assistir à final da Copa do Mundo. Quando um cambista passa a vender uma réplica idêntica da figurinha de Vini Jr., João (ou, para os íntimos, Gordo) decide investigar o esquema de falsificação, inspirado por seu detetive favorito, Mr. Mistério, vivido por Marcos Veras.

Marcos Veras dá luz ao personagem Mr. Mistério [Imagem: Divulgação]

A mistura de diferentes personalidades na “Turma do Gordo” garante personagens para todos os gostos, mostrando também uma amizade com altos e baixos: interesses que já não se conciliam — como o de Edmundo, que, em dado momento, prefere o futebol a “brincar de detetive” — ou a eventual paixão de Gordo por Berenice surgem em meio à investigação, que possui momentos de humor que funciona para a classificação indicativa de 12 anos. Além disso, a sintonia entre os atores é transmitida até o grupo de amigos exibido nas telas, fruto do entrosamento do elenco infantil investido pela produção, que, durante cerca de um mês, preparou os protagonistas.

Ao mergulhar na investigação, é possível presenciar os planos de câmera mais interessantes, que levam o telespectador a sentir a tensão das crianças, ou até a pressa com que caminham por São Paulo — trata-se de um mérito de Pedro Sotero (“Bacurau”), diretor de fotografia, e Thales Junqueira (“O Agente Secreto”), que assina a direção de arte. Por meio do corre-corre por ruas icônicas e outros cartões-postais da cidade, a capital paulista é transformada em personagem, possibilitando uma imersão na atmosfera paulistana que também está presente na obra de João Carlos Marinho, o que traz a nostalgia de um tempo em que as crianças ainda podiam transitar livremente pela metrópole, como retrata o filme. 

Da esquerda para a direita: Samuel Estevam, Breno Kaneto, Bella Alefaf e Francisco Galvão — a “Turma do Gordo” [Imagem: Divulgação]

Sob a direção de Lipe Binder (“O Outro Lado do Paraíso”, “Verdades Secretas”) e produção de Tiago Mello (“3%”), o clássico de 1969 é atualizado, o que evoca a memória afetiva de uma geração atravessada pela literatura de João Carlos Marinho — e que hoje pode revisitar os personagens nas telonas do cinema. Nostalgia à parte, a abordagem de um tema atual que dialoga com o universo infantil, como a Copa do Mundo, é um acerto em cheio do filme, que promete entretenimento e identificação para os mais novos.

O desenrolar do mistério ainda permite um plot twist ao final do filme, que surpreende não só os protagonistas como também o público. Por não ser óbvio, a trama é capaz de alcançar um público para além das crianças — incluindo adolescentes e adultos —, colocando-se como um mistério infantojuvenil que oferece reviravoltas inteligentes sem perder o tom lúdico, tal como a obra de João Carlos Marinho.

NOTA: 4/5

Reprodução: Paris Filmes

O Gênio do Crime

Brasil, 2026

Direção: André Felipe Binder

Elenco: Francisco Galvão, Bella Alefaf, Breno Kaneto, Samuel Estevam, Ailton Graça, Marcos Veras, Douglas Silva, Rafael Losso

Distribuição: Paris Filmes

*[Imagem de capa: Divulgação/ Paris Filmes]

Autor

  • Maju Pinheiro

    Bacharelanda em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e Repórter do SETEPOP.