Com uma divulgação massiva – incluindo ações nas ruas –, no dia 7 de abril, Luísa Sonza tentou emplacar mais um capítulo relevante em sua discografia. “Brutal Paraíso”, seu quinto álbum de estúdio, chega com extensas 23 faixas, 67 minutos de duração e uma proposta ousada: misturar estilos e ampliar horizontes. Mas o resultado final revela mais excesso do que consistência.

O maior problema do álbum parece ser o medo de flopar. Na tentativa de alcançar diferentes públicos e até flertar com uma carreira internacional – com duas faixas em espanhol, sendo uma delas “Tu Gata”, parceria com o cantor latino Sebastián Yatra –, o disco perde identidade e coesão.
Mesmo assim, devo dizer que há acertos. As transições entre músicas são um dos pontos altos, especialmente no início, o que cria uma sensação de continuidade interessante que conversa com a proposta do álbum. Outro destaque vai para os interlúdios, principalmente “Distrópico”, que abre o álbum e combina bem com a estética do projeto, com potencial de funcionar ainda melhor em performances ao vivo.
E por falar em performances ao vivo, o show de Luísa no Coachella, foi mais do mesmo. Se me perguntassem se ela estava se apresentando no The Town ou Rock In Rio, eu responderia que sim. Faltou revolucionar, é um Coachella, não quermesse de cidade interiorana. Seu show no The Town de 2025 foi bem mais trabalhado e a cantora parecia mais a vontade no palco.
No Spotify, sete singles aparecem, e dentre eles apenas alguns se salvam. “Loira Gelada”, que recebeu um baita clipe, com super produção e elementos de A-list, decepciona pela letra rasa. Os jogos de câmera e enquadramento lembram bem videoclipes como “Boys Don’t Cry” de Anitta. Além dele, mais dois singles, “Telefone” e “Fruto do Tempo” receberam videoclipes e mais uma vez unem referências do pop internacional e alguns elementos do K-Pop. Ambos os clipes apresentam uma estética sombria trazendo o tom do “brutal”, mas carece o “paraíso”.
Ao decorrer do albúm, “E Agora?” – single e parceria com Xamã – surge como um dos momentos mais marcantes, trazendo mais personalidade ao disco. Já as outras colaborações, parecem excessivas ou pouco necessárias, a parceria com o cantor se destaca positivamente e realmente agrega à obra.

Por outro lado, elementos que antes eram diferenciais na carreira da artista – como a carga emocional vista em “Penhasco” e os beltings – aparecem aqui de forma repetitiva, diluindo o impacto e tornando a experiência cansativa ao longo das 23 faixas.
O álbum ainda sofre com sua própria extensão: ideias interessantes acabam se perdendo no excesso. As transições, que começam promissoras, deixam de sustentar a narrativa com o passar do tempo. E, no encerramento, a faixa-título “Brutal Paraíso” acaba soando mais como um sonífero do que como um clímax à altura do projeto. Para alguém que lançou “Doce 22” e “Escândalo Íntimo”, essas características soam como amadoras.
No fim, “Brutal Paraíso” é um trabalho ambicioso, com bons momentos e ideias interessantes, mas que carece de foco. Ao tentar abraçar tudo, Luísa Sonza acaba não aprofundando nada – e deixa a sensação de que menos poderia ter sido muito mais.

TOP 7 DO SETEPOP
- E Agora?
- Fruto do Tempo
- Quando
- Santa Maculada
- Tu Gata
- Amor, que pena!
- Sempre Você
Nota: 5/10

