CRÍTICA | “Evidências do Amor”: Um registro de paixão e nostalgia.

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“Hey Jude”, “Thriller”, “Crazy In Love”, “Bad Romance”… O que essas canções têm em comum? Todo mundo conhece elas! O impacto dessas faixas transpassa gerações com tanta grandiosidade, que em um texto escrito e sem qualquer ritmo sonoro, bastam um “Na Na Na Na Na Na” ou “Rah Rah Ah Ah Ah” para que se saiba exatamente quais músicas estão sendo mencionadas e as melodias ecoem de forma automatica na cabeça do leitor. No Brasil, não seria diferente, afinal não se fazem necessárias mais do que algumas notas para que qualquer brasileiro reconheça “Evidências”, canção gravada pela dupla Chitãozinho & Xororó. O sucesso sertanejo nunca saiu da boca do povo, e foi com isso em mente que o diretor Pedro Antônio Paes resolveu levar o hit dos karaokês para as telas de cinema, dando vida a “Evidências do Amor”. O longa que é uma comédia romântica com elementos de ficção científica, foi produzido pela Framboesa Filmes em parceria com a Warner Bros. Pictures e teve sua estreia nacional no dia 11 de Abril.

Em uma noite qualquer, Marco Antônio (Fábio Porchat) e Laura (Sandy Leah) se conhecem em um karaokê e cantam juntos a música Evidências. Desde então, eles se apaixonaram e formaram um casal que parecia perfeito, até o momento do “sim”, quando Laura decide que não quer mais se casar. Sem entender o que aconteceu para o término repentino, agora, toda vez que essa música toca, Marco viaja para suas lembranças com Laura. Além de Porchat e Sandy, integram o elenco nomes como Evelyn Castro, Larissa Luz e Samya Pascotto.

Divulgação: Warner Bros. Pictures

Com uma premissa intrigante, o enredo cativa pela sua originalidade e destreza em conquistar a empatia do público, já que uma associação afetiva involuntária entre alguém (que um dia foi) especial e uma canção em particular, é uma ideia facilmente relacionável. Junto a isso, a técnica se apodera da linguagem e opta por contar uma narrativa não-linear, recurso coroado pela sagacidade da montagem, e do uso de movimentos de câmera não convencionais e bem executados, que ao serem combinados, imprimem em tela um visual final inventivo. Apesar de repetitiva, os diferentes rearranjos musicais da trilha diegética não a deixam ficar enjoativa. Ainda assim, o roteiro se mostra apegado a alguns clichês do gênero, o que é compressível, mas em certa altura do campeonato, acaba precisando apelar para uma suspensão de descrença por parte de quem vê.

Não há como negar as aparências e disfarçar o estigma que as comédias – pra ser justo, um certo tipo de comédia – criaram no senso comum quando se fala em cinema nacional, tornando frequentes comentários generalizados e redutivos a respeito do audiovisual brasileiro. Aqui, ao invés de se contentar com o pastelão, o humor abre espaço para momentos de romance e drama, que afinados pelo trabalho extremamente habilidoso da direção, ganham muito mais intensidade no conjunto da obra; dos sorrisos se arrancam estridentes gargalhadas, e os singelos olhos marejados rapidamente vem aos prantos. 

Divulgação: Warner Bros. Pictures

Partindo para as atuações, começo destacando o talento de Fábio Porchat, que surpreende não pelas ótimas piadas, mas sim pelo seu excelente desempenho dramático, que culmina em um protagonista mais do que engraçado, interessante. No entanto, o ponto alto do elenco é a humorista Evelyn Castro, que mesmo coadjuvante, rouba a cena sempre que entra em quadro com suas tiradas hilárias, que particularmente, me fizeram doer a barriga de tanto rir. Já Sandy Leah, inegavelmente herdou seu papel de co-protagonista por direito, e tem uma entrega competente dentro das exigências de sua personagem. A performance da artista até funciona sozinha, mas ganha bem mais força quando aliada a seu parceiro.

Mesmo que de primeira, pensar em um relacionamento romântico entre Porchat e Sandy cause certo estranhamento, a junção transborda química e não demora quase nada para que a audiência torça pela felicidade do casal. Digo que é verdade e que tenho saudade de projetos simples e com muita alma, como esse. Na era da inteligência artificial, conseguir enxergar o coração e a vontade dos realizadores, é uma qualidade que precisa ser aplaudida. No fim, “Evidências do Amor” é um daqueles filmes divertidos que vão alegrar a família toda, e tem a capacidade de deixar os dias cansativos, um pouco mais leves.

Nota: 4/5

TRAILER

Reprodução: Youtube/Warner Bros. Pictures Brasil

EVIDÊNCIAS DO AMOR
Brasil, 2024
Direção: Pedro Antonio Paes
Elenco: Fábio Porchat, Sandy Leah, Jason Packer, Evelyn Castro, Larissa Luz e Samya Pascotto
Distribuição: Warner Bros. Pictures

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