CRÍTICA | “Wish: O Poder dos Desejos”: Disney joga no seguro, mas acerta.

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Pioneira quando se fala no cinema de animação, a Walt Disney Animation revolucionou a técnica envolta na linguagem cinematográfica, dando ao mundo “Branca de Neve e Os Sete Anões” (1937), o primeiro longa-metragem animado da história. Desde então, suas releituras mágicas e musicadas de contos de fadas foram atravessando as décadas e encantando gerações inteiras até os dias atuais. Em 2023, a empresa completou 100 anos e “Wish: O Poder dos Desejos” é o filme de celebração deste aniversário. A produção estreou nos Estados Unidos durante o último feriado de ação de graças, em novembro de 2023, mas a sua chegada no Brasil ficou marcada para 4 de janeiro. Jennifer Lee assume o roteiro ao lado de Chris Buck, que também é o responsável pela direção do projeto, a dupla já é reconhecida pelo seu trabalho no aclamado “Frozen” (2013).

“Como surgiu a estrela dos desejos, sobre a qual tantos personagens desejavam? Essa é a história de Asha, de 17 anos, uma jovem otimista com uma inteligência afiada que se preocupa infinitamente com sua comunidade. Em um momento de desespero, Asha faz um apelo apaixonado às estrelas, que é respondido por uma força cósmica, uma pequena bola de energia ilimitada chamada Estrela. Juntos, eles enfrentam o mais formidável dos inimigos para salvar sua comunidade e provar que quando a vontade de um humano corajoso se conecta com a magia das estrelas, coisas maravilhosas podem acontecer.”

Reprodução: Walt Disney Animation

Entendendo o seu lugar na comemoração de um século do estúdio, o enredo opta por seguir os moldes clássicos de seus antecessores, olhando para trás em um tom de homenagem, mas sem se deslocar de sua temporalidade. Algo que considero assertivo é a intenção explícita de agradar os fãs, seja com as inúmeras referências a outros filmes da Disney ou até mesmo com a materialização da ideia de “acredite nos seus sonhos”, que é muito viva na marca. Se apoiar diretamente no passado é um risco, mas aqui a escolha convence e emociona através da nostalgia. O visual da animação busca emular um meio termo entre as animações 2D e 3D, estética essa que inicialmente acaba causando um estranhamento, mas conforme os olhos se acomodam, passam a apreciar quadros belíssimos que parecem ter sido pintados como uma aquarela. 

Parte da magia de Wish, vem através de suas canções que sem dúvida conduzem a narrativa com maestria e mesmo depois do fim, ainda continuam ecoando na cabeça. Dentre elas destaco a música “Knowing What I Know Now”, que pessoalmente considero a cena mais divertida do longa. Mas de longe, o destaque aqui fica com o Rei Magnifico, que além de um arco dramático muito bem construído, preenche a tela com seu carisma de uma maneira que só um vilão de desenho animado egóico e narcisista conseguiria. Ainda dentre os personagens, a dinâmica de dupla entre a protagonista Asha e sua amiga Estrela funciona muito bem, principalmente quando articulada com a proposta de entender “o desejo” como aquilo que dá sentido à vida de cada indivíduo.

Reprodução: Walt Disney Studios

Mas embora tenha um saldo geral positivo, um problema de ritmo é notável principalmente durante o segundo ato do filme, em que somada a uma montagem picotada, o roteiro parece querer correr logo para chegar ao fim, com a finalidade comercial de preservar a curta duração de 1h e 35. No fim, “Wish: O Poder Dos Desejos” se mostra como uma animação simples e que não pretende entregar nada de novo, mas que ainda assim é coesa e guiada por figuras cativantes, festejando com carinho e muito respeito, o centenário da casa do Mickey.

Nota: 3,5/5


Reprodução: YouTube / Walt Disney Studios BR

Wish – O Poder dos Desejos (“WISH”) Estados Unidos, 2023
Direção: Chris Buck, Fawn Veerasunthorn
Elenco: Ariana Debose, Chris Pine, Evan Peters, Alan Tudyk, Victor Garber, Natasha Rothwell
Distribuição: Walt Disney Studios Brasil

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