Entre palavrões e palavras de ordem, uma das maiores artistas que o Brasil já teve a honra de chamar de sua, finalmente teve parte das suas memórias eternizadas no cinema. A icônica canção da irreverente Gal Costa, agora também dá nome a cinebiografia da cantora… “Meu Nome é Gal”, estrelado pela graciosa Sophie Charlotte, teve sua pré-estreia durante o Festival do Rio e tem lançamento nacional marcado para o feriado de 12 de outubro.
“O filme “Meu Nome é Gal” acompanha de perto o breve e efervescente momento da Tropicália, o principal movimento da contracultura no Brasil, responsável pela maior mudança musical e comportamental que o país já viveu. Gal Costa, a principal voz feminina desse movimento, teve que superar a timidez para seguir sua vocação. Com sua presença e voz, ela influenciou a música brasileira e uma geração, enfrentando desafios como a ditadura militar no Brasil junto com outros artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia.”

O ato de resumir uma vida inteira em duas horas cria um ritmo narrativo corrido e que facilmente se torna confuso, questão essa que noto na maior parte dos filmes biográficos. Aqui não seria diferente e ainda é um pouco pior! Isso se dá devido aos curtíssimos 80 minutos de duração, agravando o problema que já era inerente ao gênero, o resultado é um aglomerado de acontecimentos desorganizados que parecem ter sido colocados numa continuidade sem critério… O início me deu a sensação de embarcar num carro andando. A montagem é tão caótica que em dado momento eu já não conseguia nem mais saber se estávamos no Rio de Janeiro, São Paulo ou Salvador.
Além disso, é adotada uma perspectiva que considero reducionista para falar de uma pessoa tão cheia de camadas. Sophie Charlotte atua muito bem, mas a direção e o roteiro escolhem bombardear o público com aparições especiais ao invés de mergulhar e explorar todo o potencial da protagonista, diluindo a personagem em outro papel qualquer. Soma-se além disso a exigência de uma extensa bagagem sobre o cenário da música brasileira por parte de quem assiste, O longa não se importa de explicar boa parte do contexto, e um espectador desavisado ficaria ainda mais perdido.

Mas vale pontuar que, quando viva, de Gal sempre foi muito discreta com sua vida pessoal, principalmente sobre relacionamentos, e as sutilezas do enredo ao deixar muitas coisas nesse âmbito sem confirmação e subentendidas foi além de algo respeitoso, muito inteligente e bem feito. Apesar de óbvio, sinto que precisa ser dito… A seleção da trilha sonora é impecável e ficaram ótimas na voz de Sophie, casando perfeitamente com as cenas em que foram alocadas. Destaco ainda a ótima ambientação, que imprime em tela o calor da Tropicália em sequências esteticamente belíssimas, fica nítida a paixão dos idealizadores pelo projeto. Em síntese, o sentimento foi de assistir um longo videoclipe, que é bonito visualmente e tem músicas boas, mas no fim são só sequências de imagens desconexas.
Nota: 3/5
TRAILER
MEU NOME É GAL
Brasil, 2023
Direção: Dandara Ferreira e Lô Politi
Elenco: Sophie Charlotte, Rodrigo Lelis, Camila Márdila, Dan Ferreira, Luis Lobianco, George Sauma, Dandara Ferreira
Distribuição: Paris Filmes

